É com bastante alegria que inicio o comentário da prova de literatura do Psiu – 3ª Etapa. Marcada por questões bem elaboradas e de um nível satisfatório, a prova contemplou as obras: Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, Beira Rio Beira Vida, de Assis Brasil, Memorial do Convento, de José Saramago e São Bernardo, de Graciliano Ramos, destacando características, contextos históricos, personagens, enredos e estilos de época.
Ao contrário da prova de ontem, não encontramos informações incoerentes, muito menos gabaritos duvidosos. Analisemos então cada uma das questões:
QUESTÃO 07
A alternativa INCORRETA encontra-se na letra E. Ao afirmar que a “autora aplica o máximo de subjetividade e de desapego histórico”, a questão apresenta duas informações incorretas:
I. Se observarmos os primeiros e últimos versos de cada estrofe, verificaremos que a objetividade (bens que estão sendo divididos) e a subjetividade (resultado da divisão) estão sempre presentes. Há, portanto, nos versos momentos de denotação e conotação.
II. Impossível encontrar DESAPEGO HISTÓRICO em uma obra que tematiza e discute a Inconfidência Mineira e, consequentemente, a decadência da política colonial.
QUESTÃO 08
Em Beira Rio Beira Vida, as personagens marginalizadas – principalmente aquelas que moram e trabalham nas margens do rio Parnaíba – são vítimas do determinismo social. Amaldiçoados e aprisionados pelo meio não encontram nenhuma possibilidade de ascensão social. A alternativa D refere-se justamente a esse aspecto muito bem trabalhado por Assis Brasil.
Em relação às outras afirmativas:
A: A protegida do velho Santana é Cremilda e não Mundoca.
B: A reforma do armazém interessa a Cremilda e não a Luísa.
C: Na verdade, Mundoca rompe com a “tradição do cais” porque nunca se interessou pelos assuntos amorosos e sexuais que tanto motivaram a mãe e a avó.
E: O ciclo de miséria e exploração talvez não seja interrompido jamais.
QUESTÃO 09
A alternativa correta encontra-se na letra C. Blimunda é uma personagem por demais curiosa. Em jejum é capaz de enxergar as pessoas, psicologicamente e fisicamente, como realmente são. Os maravilhosos poderes de Blimunda e o “impossível” voo da passarola conferem à obra caráter de literatura fantástica.
Em relação às outras afirmativas:
A: A passarola representa a realização de um sonho.
B: O convento está situado em Mafra.
D: O rei que autoriza a construção do convento é o português D. João V.
E: Baltasar está mais para herói romântico ou mesmo para cavaleiro medieval.
Ao ler Memorial do Convento, escrevi o poema que gostaria de compartilhar com vocês:
BLIMUNDA
Tu és Sete-Luas
Se não enxergas minha alma
É porque minha alma não está presa
Nesta prisão que é o corpo
Não é bem por incapacidade tua
É porque minha alma é livre
E está aqui e ali e está em ti
Tu que és claustro de mim.
Ajosé1150
QUESTÃO 10
A alternativa B está incorreta. O voo da passarola resultou da combinação dos seguintes elementos:
Sol
+
Eletro
(âmbar amarelo que friccionado carrega-se de eletricidade).
+
Imanes
(material capaz de produzir campo magnético).
+
Vontades (a mais poderosa de todas as forças).
QUESTÃO 11
A alternativa D está incorreta. Graciliano Ramos captou no romance regionalista sentimentos do homem universal. O homem, onde quer que esteja, sempre estará em consonância com o contexto histórico-cultural de sua sociedade. Valores como o amor, ternura ou piedade, estão permeados destas determinantes históricas.
QUESTÃO 12
Todas as afirmativas estão corretas. Assinalamos então a letra E. Consideradas em conjunto, as três afirmativas fazem um resumido passeio pela produção ficcional de Graciliano Ramos, marcada pela linguagem precisa e períodos curtos, mas de grande força expressiva.