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05 de Novembro de 2009 15:47  +  - Tamanho da fonte: 14

Arnaldo Jabor detona o Twitter, Orkut e outras mídias modernas

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Foto: TV Globo
Arnaldo Jabor
Arnaldo Jabor
O jornalista Arnaldo Jabor assinou um artigo no jornal O Estado de São Paulo no qual critica com veemência algumas famosas ferramentas do mundo virtual, especificamente o Twitter, o Orkut e os Blogs.

De acordo com o crítico, esses instrumentos tem contribuído para a difusão de textos falsamente atribuídos a ele, os quais, muitas vezes, acabam por denegrir sua imagem.

No artigo, entitulado "Blogs, twitter, orkut e outros buracos", ele fala também que os brasileiros são excessivamente orientados por essas novas mídias, o que contribui para o crescimento da ignorância, culminando com a livre atuação e impunidade de políticos corruptos.

Arnaldo Jabor é cineasta, crítico e escritor.

Leia o artigo de Arnaldo Jabor na íntegra:

- Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei neste terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web. Ou buscamos a exposição total para ser “celebridade” ou usamos esse anonimato irresponsável com nome dos outros. Tem gente que fala para mim: “Faz um blog, faz um blog!” Logo eu, que já sou um blog vivo, tagarelando na TV, rádio e jornais... Jamais farei um blog, este nome que parece um coaxar de sapo-boi. Quero o passado. Quero o lápis na orelha do quitandeiro, quero o gato do armazém dormindo no saco de batatas, quero o telefone preto, de disco, que não dá linha, em vez dos gemidinhos dos celulares incessantes.

Comunicar o quê? Ninguém tem nada a dizer. Olho as opiniões, as discussões “online” e só vejo besteira, frases de 140 caracteres para nada dizer. Vivemos a grande invasão dos lugares-comuns, dos uivos de medíocres ecoando asnices para ocultar sua solidão deprimente.

O que espanta é a velocidade da luz para a lentidão dos pensamentos, uma movimentação “em rede” para raciocínios lineares. A boa e velha burrice continua intocada, agora disfarçada pelo charme da rapidez. Antigamente, os burros eram humildes; se esgueiravam pelos cantos, ouvindo, amargurados, os inteligentes deitando falação. Agora não; é a revolução dos idiotas online.

Quero sossego, mas querem me expandir, esticar meus braços em tentáculos digitais, meus olhos no “google”, (“goggles” – olhos arregalados) em órbitas giratórias, querem que eu seja ubíquo, quando desejo caminhar na condição de pobre bicho bípede; não quero tudo saber, ao contrário, quero esquecer; sinto que estão criando desejos que não tenho, fomes que perdi. Estamos virando aparelhos; os homens andam como robôs, falam como microfones, ouvem como celulares, não sabemos se estamos com tesão ou se criam o tesão em nós. O Brasil está tonto, perdido entre tecnologias novas cercadas de miséria e estupidez por todos os lados. A tecnociência nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas vivas, chips, pílulas para tudo, enquanto a barbárie mais vagabunda corre solta no País, balas perdidas, jaquetas e tênis roubados, com a falsa esquerda sendo pautada pela mais sinistra direita que já tivemos, com o Jucá e o Calheiros botando o Chávez no Mercosul para “talibanizar” de vez a América Latina. Temos de ‘funcionar’ – não viver. Somos carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa. Assistimos a chacinas diárias do tráfico entre chips e “websites”.

ESCRITORES FANTASMAS

O leitor perguntará: “Por que este ódio todo, bom Jabor?” Claro que acho a revolução digital a coisa mais importante dos séculos. Mas estou com raiva por causa dos textos apócrifos que continuam enfiando na internet com meu nome.

Já reclamei aqui desses textos, mas tenho de me repetir. Todo dia surge uma nova besteira, com dezenas de e-mails me elogiando pelo que eu “não” fiz. Vou indo pela rua e três senhoras me abordam – “Teu artigo na internet é genial! Principalmente quando você escreve: ‘As mulheres são tão cheirosinhas; elas fazem biquinho e deitam no teu ombro...’”

“Não fui eu...”, respondo. Elas não ouvem e continuam: “Modéstia sua! Finalmente alguém diz a verdade sobre as mulheres! Mandei isso para mil amigas! Adoraram aquela parte: ‘Tenho horror à mulher perfeitinha. Acho ótimo celulite...’” Repito que não é meu, mas elas (em geral barangas) replicam: “Ah... É teu melhor texto...” – e vão embora, rebolando, felizes.

Sei que a internet democratiza, dando acesso a todos para se expressar. Mas a democracia também libera a idiotia. Deviam inventar um “antispam” para bobagens.

Vejam mais o que “eu” escrevi: “As mulheres de hoje lutam para ser magrinhas. Elas têm horror de qualquer carninha saindo da calça de cintura tão baixa que o cós acaba!”... Luto dia e noite contra cacófatos e jamais escreveria “cós acaba!”. Mas, para todos os efeitos, fui eu. Na internet eu sou amado como uma besta quadrada, um forte asno... (dirão meus inimigos: “Finalmente, ele se encontrou...”)

Vejam as banalidades que me atribuem:

“Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!”
Ou: “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!”

Ainda sobre a mulher: “São escravas aparentemente alforriadas numa grande senzala sem grades.”
Há um texto bem gay sobre os gaúchos, há mais de um ano. Fui “eu”, a mula virtual, quem escreveu tudo isso. E não adianta desmentir.

Esta semana descobri mais. Há um texto rolando (e sendo elogiado) sobre “ninguém ama uma pessoa pelas qualidades que ela tem” ou outro em que louvo a estupidez, chamado “Seja Idiota!”...

Mas o pior são artigos escritos por inimigos covardes para me sujar. Há um texto de extrema direita, boçal, xingando os brasileiros, onde há coisas como: “Brasileiro é babaca. Elege para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari. Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira. Brasileiro é vagabundo por excelência. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada, não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo. 90% de quem vive na favela é gente honesta e trabalhadora. Mentira. Muito pai de família sonha que o filho seja aceito como ‘aviãozinho’ do tráfico para ganhar uma grana legal. Se a maioria da favela fosse honesta, já teriam existido condições de se tocar os bandidos de lá para fora... O brasileiro merece! É igual a mulher de malandro – gosta de apanhar...”

E o pior é que muita gente me cumprimenta pela “coragem” de ter escrito esta sordidez.

Ou seja: admiram-me pelo que eu teria de pior; sou amado pelo que não escrevi. Na internet, eu sou machista, gay, idiota, corno e fascista. É bonito isso?
Autor/Fonte:  estadao.com.br  |  Edição:  Cícero Portela

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  • DIELSON CASTRO SILVA
    DIELSON CASTRO SILVA

    É minha opinião

    Quinta, 05/11/2009 O fato de ter seu nome usado indevidamente no território sem lei da internet é uma razão para tal indignação, mas sair detonando esse meio de comunicação de forma tão cruel????
    Acredito que a internet e essas suas ferramentas são importantes mas há muitos que a utilizam de forma errada. Eu uso twitter, orkut entre outros, assim como eu muitos outros usam, e nem por isso precisamos ser considerados seres "burros", acho que o Arnaldo acertou em algumas afirmações já em outras ele foi muito infeliz.
  • Artur
    Artur

    Correto

    Sexta, 29/01/2010 Certíssimo o Jabor. Além disso, dizem que esse orkut rouba a sua alma. Falou abraços.
  • Bruno Divetta
    Bruno Divetta

    Pense nisso Jabor

    Domingo, 31/01/2010 Caro Jabor, como vai?! Te admiro, por isso escrevo estas palavras. Sua maturidade profissional deixa claro o quanto é inteligente, mas ao mesmo tempo vem se tornando cada vez mais previsível. Deve ser uma delícia criticar pessoas e fazer generalizações auto-confiantes protegido por um escudo de trabalho duro, reputação sólida e credibilidade militante. Um dia serei como você, pode escrever isso em um de seus textos falsos.
    Já parou para pensar que pode ter gente no Twitter pensando exatamente igual a você? Não é tão difícil assim encontrar um de seus leitores, que te conside Deus, e absorveu por osmose este estilo, com eufemismo, digamos: "Eu tenho razão, sempre!" Será, carissímo Jabor, em quase 20 mil twitts por hora abrindo links para matérias como esta sua que acabo de ler, tudo é lixo? Acho que no meio de quase 30 milhões de usuários do Twitter no Brasil, alguém conseguiu representar tão bem seu pensamento que se passa por você. Se me permite ser um pouco conclusivo: Essencia competitiva é algo difícil de ser copiado e a sua está ficando fácil. Quer uma dica idiota: Reinvente-se. Vá para a arena, entre no Twitter, abra um blog, seja homem. Seja um Brasileiro. Acabo de voltar da Capus Party 2010, ela estava cheia de idiotas on-line construíndo, por exemplo, softwares livres que beneficiarão milhares de instituições, pessoas burras que por algum motivo muito estranho foram visitadas pelo prefeito de SP, ministra Marina Silva e outros militantes de "esquerda ou direita ou em cima do muro, tanto faz." Também não seria uma prova de estupidez dizer "Detesto melancia, não conheço o sabor, nunca provei e nunca vou provar". Por favor, não abale sua auto-estima com esse texto disléxico, ela te ajudou a chegar ao topo. Esqueça tudo, busque o passado e continue conformado em ser esse bicho bipede, porque famoso na intenet você vai continuar sendo, pode apostar! (a menos que faça um blog oficial). Abraço.

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